Dark Tourism - Porque somos atraídos pelo Turismo Macabro

A nova série da Netflix “Dark Tourist” colocou em perspetiva a temática da morte, da tragédia e do macabro: as festividades no México do dia dos Mortos; a visita ao local radiativo de Fukushima; a experiência de nos sentirmos na pele de um contrabandista que realiza a passagem da fronteira entre os Estados Unidos e o México e a existência de uma floresta assombrada no Japão, escolhida por aqueles que querem suicidar-se são apenas alguns dos locais e experiência que o jornalista neozelandês David Ferrier. Mas afinal o que é o dark tourism e por que razão não deve sentir-se mal por apreciá-lo?

O que é e como surgiu o Dark Tourism?

O Dark Tourism é todo o tipo de turismo que envolva visita a locais reais ou recriados associados à morte, sofrimento, desgraça, ou ao aparentemente macabro (Farmaki, 2013; Stone, 2006). Para que compreenda na totalidade, um exemplo de Turismo Macabro é, no expoente mínimo, o Museu da Anne Frank, em Amsterdão mas, por outro lado, no expoente máximo, Chernobyl. 

É um facto que nem todos nós procuramos praias paradisíacas ou city breaks para as nossas férias. Nos últimos tempos, temos assistido ao surgimento e crescimento de um nicho de mercado dentro do turismo cultural. Este nicho morre de sede de conhecimento daquele que é o lado mais negro das cidades ou dos monumentos que vai visitar. Na verdade, e na maioria das vezes, até é este o motivo que os leva a essa visita.

Se partilha deste gosto ou, pelo menos gosta de misturar este tipo de sítios  durante as suas viagens, esta artigo é para si!

Por que é que surgiu?

Algumas pessoas são atraídas, intencionalmente ou não, para lugares, atrações ou eventos que estão, de certa maneira, relacionados com a temática da morte, do sofrimento, da violência e, no geral, no desastre.

Estes destinos, considerados como locais de dark tourism, podem ser museus, cemitérios, prisões, memoriais, favelas, campos de concentração, cenários de guerra, atentados ou outros lugares de tragédia. Parece estranho e inadequado mas se sente aquele “bichinho” de querer visitar Auschwitz; de querer realizar tour com a temática do Jack the Reaper ou uma visita a um cemitério da época Vitoriana; de visitar a zona de Ground Zero em Manhattan onde estiveram erguidas, até 11 de setembro de 2001, as famosas torres gémeas; a vontade de querer visitar a praia de Omaha na Normandia onde milhares de soldados lutaram e faleceram durante a II Guerra Mundial; de querer visitar locais como Chernobyl na Ucrância ou Hiroshima no Japão ou ficar alojado num hotel com atividade paranormal então saiba que possui, dentro de si, um lado mais Dark.

Londres

Londres - Um destino para o Dark Tourism

Porque é que Londres é um destino dark tourism?

O céu cinzento que paira, quase que incessantemente, por cima da cidade de Londres condiz com a históra rica da cidade em acontecimentos dramáticos e sangrentos: desde os raids Vikings e da Grande Peste na Idade Média, até ao Grande Incêndio de Londres de 1666; juntam-se ainda o infame Jack, the Ripper (O Estripador), cuja identidade permanece envolta em mistério; os acontecimentos da época vitoriana e os seus enigmáticos cemitérios (ex. Highgate). Toda esta onda drástica e misteriosa é como uma neblina que rodeia esta cidade, perfeita para turistas que procuram a temática do dark tourism.

O que visitar e o que fazer?

TORRE DE LONDRES

Torre de Londres - uma visita para adeptos do Dark Tourism

A Torre de Londres é um excelente exemplo de um edifício que está totalmente embebido na história da cidade. Mais do que a sua inicial função de residência real até ao período da Casa de Tudor, esta foi uma famosa prisão.
Aqui estiveram encarceradas figuras como Guy Fawkes (o famoso católico que delineou um plano para assassinar o monarca protestante Jaime I de Inglaterra); Ana Bolena (2ª esposa do monarca Henrique VIII de Inglaterra) e os próprios sobrinhos do monarca Ricardo III de Inglaterra. Este foi um local de tortura entre os séculos XVI e XVII onde a utilização de cavaletes, grilhetas e algemas era comum e diária.

Como chegar à Torre de Londres: próximo da estação de metro de Tower Hill.

tour temático do famoso Jack, o Estripador

Whitechapel - onde se fazem tours acerca do assassino Jack o Estripador

A  zona de Whitechapel e seus arredores são cenário para a vasta e diversificada oferta de walking tours acerca do famoso assassino Jack, the Ripper, ou, em português, Jack, o Estripador

Na verdade, o local escolhido para estas tours não é de admirar, uma vez que foi no passado onde Jack, the Ripper foi identificado como a suspeita número 1 dos homicídios de Mary Ann Nichols, Annie Chapman, Elizabeth Stride, Catherine Eddowes e Mary Jane Kelly, 5 prostitutas cuja conexão entre as suas mortes é considerada muito plausível, já que Jack, the Ripper prosseguia sempre os seus crimes de forma metódica e bizarra: primeiro violava as mulheres, depois mutilava-as e retirava-lhes os seus órgão internos. 

Estes acontecimentos drásticos remetem-nos para o período entre 31 de agosto e 9 de novembro de 1888. Lendas dizem-nos que após estes ataques, o estripador mudou-se para os Estados Unidos mas, neste campo, jogamos apenas em suposições, uma vez que a cara a este nome permanece até aos dias de hoje uma incógnita.

Como chegar a Whitechapel para os tours do Jack, the Ripper: estação de metro de Aldgate East ou de Whitechapel.

the london dungeon

Na zona de South Bank em Londres, zona também do London Eye, existe uma atração turística que recria, dentro do cenário de umas “Masmorras” diversos episódios sangrentos e macabros da história de Londres, de forma interativa, fazendo uso de atores, efeitos especiais, atividades e, claro, dos seus convidados. Jack, the Ripper é aqui apenas um dos protagonistas, uma vez que as masmorras londrinas passarão pelos séculos a correr, mostrando apenas o que de macabro aconteceu.

O cartão de boas-vindas ao London Dungeon é uma senhora arrepilante a tocar o sino, enquanto ri da próxima morte de quem lá entra. A partir daí, o programa incluí 19 espetáculos, mais de 20 atores e 2 diversões assustadoras onde deixará o papel de espetador e passará a ser um integrante do espetáculo, ou convidado para demonstrações de tortura, como os atores o encaram. Passando por mais de 1000 anos da história Londrina, terá a oportunidade de conhecer personagens infames, tais como o já falado Jack o Estripador; mas também Sweeney Todd, um doutor da Peste especialista na arte da Tortura, e muitos outros. 

the london bridge experience

The London Bridge Experience - uma experiência para quem procura uma viagem de Dark Tourism

No mesmo local do London Dungeon, é possível encontrar o também famoso The London Bridge Experience, onde poderá encontrar também figurantes da época Viking, Romana, habitantes londrinos queimados pelo Grande Incêndio de Londres do século XVII e zombies (que provavelmente sobreviveram ao período de Grande Peste).

Este local contém 2 vertentes: uma primeira em que o visitante é única e exclusivamente o espetador e ouve o diálogo dos atores e, uma segunda parte, imprópria para cardíacos, onde terá de percorrer, em fila, um extenso labirinto com gritos, zombies, música de circo, sons de laminas e cabeças penduradas… ou a rolar. Terá de terminar a experiência vivo… ou morto-vivo!

Ghost Bus Tour

Ghost Bus Tour: um autocarro londrino possuído por atividade paranormal

Para os amantes de Dark Tourism ou para aqueles turistas que procuram simplesmente embelezar a sua viagem a londres num autocarro londrino, não perca a oportunidade de andar no Ghost Bus Tour: um autocarro londrino possuído por atividade paranormal!

O interior do autocarro está decorado a rigor, as luzes dos candeeiros falham e a diversão começa! Atores vão contando as mais bizarras histórias de Londres. Cemitérios Vitorianos (aconselha-se inclusivamente a visita a um), o Grande Incêndio de Londres,  enforcamentos são algumas das muitas histórias que nos embalam ao longo deste passeio. Embalam, sim, dependendo da sua (in)sensibilidade, uma vez que esta tour é única e exclusivamente realizada em horário noturno. Spooky!

Amesterdão

Porque é que Amesterdão é um destino dark tourism?

Apesar de não ser uma cidade repleta de roteiros e atividades para um dark tourist, a verdade é que esta cidade europeia, capital Holandesa, possui um dos locais mais famosos do mundo para este género de turismo: a Casa Anne Frank!

O que visitar e o que fazer?

Casa/ Museu da Anne Frank

Casa de Anne Frank - um destino de Dark Tourism

Fundado no dia 3 de maio de 1960 em memória de Anne Frank, habitaram aqui no passado a família judia de Anne e mais quatro Judeus. Escondidos da perseguição, esta foi a única vida que viram durante os anos da ocupação nazi, na II Guerra Mundial. Calados, longe das janelas e com muito cuidado a mexerem-se. Qualquer barulho indesejado poderia ter como consequência o fim destas personalidades históricas.

Aqui poderá visitar o Anexo Secreto, local onde Anne e sua família viviam diariamente e onde foi montado um espaço que desse vazão, dentro dos possíveis, às necessidades básicas de sobrevivência: uma mini cozinha, casa-de-banho,  quartos separados e um sótão, onde Anne escreveu o seu diário. Foi neste local que a família de Anne fez todo o seu dia-a-dia e onde a menina registou as suas vivências e pensamentos no seu diário pessoal, hoje mundialmente conhecido e reconhecido enquanto património da humanidade pela UNESCO.

Museu da Tortura em Amesterdão

Até há poucos séculos, cada cidade europeia tinha um cadafalso na praça central e um campo com uma forca junto às portas da cidade. O cavalete de tortura era também um método usual e engenhosos para realizar interrogatórios rigorosos, e o ato de torturar era, orgulhosa e reconhecidamente, um ofício comum. Foi assim que a Inquisição espanhola (e até a portuguesa), através do uso do seu vasto arsenal de instrumentos, pretendiam erradicar o mal demoníaco dos infiéis à fé cristã!

O Museu da Tortura dá uma imagem viva deste passado tumultuoso. A exposição “Penas e sentenças da Idade Média” conta com mais de 40 instrumentos de tortura de diversas partes da Europa, desde a cadeira da Inquisição à guilhotina francesa. Uma visita a não perder para um amante de Dark Tourism!

Varsóvia

Porque é que Varsóvia é um destino Dark Tourism?

A capital da Polónia é um dos maiores destinos mundiais de Dark Tourism. Fruto da localização geográfica do país (entre Alemanha e Rússia) e das consequências disso durante a II Guerra Mundial, este local concentra memórias e locais com influências nazis (Gestapo por exemplo); ghettos onde viviam judeus no período do holocausto e influências comunistas aquando a ocupação da União Soviética no período pós-II Guerra Mundial. Auschwitz, possivelmente o local mais famoso do mundo para um dark tourist, encontra-se relativamente próximo de Varsóvia!

O que visitar e o que fazer?

Auschwitz – o famoso e infame campo de “trabalhos forçados"

Auschwitz - o famoso campo de concentração Nazi

Erigido como o maior complexo de campos de concentração do regime nazi, este famoso campo detinha 3 campos principais de trabalhos forçados e 1 campo de extermínio. Estima-se que entre 1940 e 1945, as Shutzstaffel alemãs – forças armadas também conhecidas por SS – deportaram para este campo cerca de 1,5 milhões de pessoas, entre elas judeus, polacos, ciganos, prisioneiros de guerra soviéticos e tantas outras minorias etnicas (checos, jugoslavos, franceses, austríacos e alemãs com algum tipo de deficiência ou cujos ideais não apoiassem o regime nazi) que foram exterminados independentemente da sua idade ou estatuto social quer em câmaras de gás (utilizando o gás Zyklon B), quer por desnutrição e doenças que advém dessa falta de condições de saúde.

Hoje em dia, poucas das instalações que aí existiam ainda se encontram preservadas mas é possível conhecer a história do maior complexo de campos de concentração da II Guerra Mundial, ver objetos pessoais pertencentes aos prisioneiros e visitar as ruínas das câmara de gás, quartéis originais e a plataforma ferroviária de desembarque de prisioneiros onde se vê a famosa frase “O trabalho liberta”.

Centro da cidade de Varsóvia

Aqui poderá visitar locais tão marcantes quanto o Ghetto trail (perimetro muralhado com cerca de 3 metros de altura onde cerca de 350 000 judeus estiveram presos e foram deixados a morrer à fome); o Warsaw Uprisings Museum (onde estão preservados centenas de artefactos, armas e manuscritos do Insurgimento Polaco durante o período nazi e durante a ocupação comunista) ou até mesmo o cemitério Powązki onde se encontra sepultada a famosa família Chopin. O cemitério judeu de Okopowa é também uma passagem obrigatória,  sendo o maior cemitério judeu do Mundo, onde se encontram sepultados muitos dos judeus que morreram no Ghetto ou no movimento de Insurgimento, anteriormente falados.

Chernobyl, Ucrânia

Com o crescente boom turístico que, com a recente série da HBO tem vindo a renascer ao redor desta cidade fantasma Ucraniana, não poderíamos deixar de falar nela. 
Já fazem 33 anos que a explosão, que gerou 400 vezes mais radiação do que a bomba largada em Hiroshima (Japão), passou por aqui, deixando consigo uma nuvem de radiação nuclear letal que parece eterna. Consigo, permaneceram casas que outrora foram habitadas e que hoje foram engolidas pela florestas; um parque de diversões nunca usado e até jardins infantis repletos de brinquedos abandonados. 

O fascínio de Chernobyl é, e tem de ser, plural. Nuns, nasce a curiosidade de como seria um apocalipse (e Chernobyl dá uma resposta excelente). Outros, sentem-se completamente rendidos à ideia de visitar um local histórico, que está congelado desde a era Soviética. Afinal de contas, passear por uma cultura que neste momento, é apenas passado, é no mínimo uma sensação de descoberta da máquina do tempo. 

É seguro visitar chernobyl?

20.000 anos é quanto mais tempo se espera para que a radiação deixe completamente de ser uma ameaça nesta zona. Posto isto, se a sua pergunta é se é saudável visitar Chernobyl, a resposta é não. Se é seguro, sim, é.

Também encontramos radiações num Raio X, bem como noutros objetos do nosso dia-a-dia, e, tendo em consideração que estes não nos são inofensivos mas também não nos matam, leva-nos a relatar que efetivamente o ser humano pode estar exposto a pequenas quantidades de radiação. Se está a pensar num dia de tour, estará exposto apenas a pequenas quantidades de radiação e por poucas horas. Mas, por outro lado, se não é fã do Raio X pela sua radiação, Chernobyl está longe de ser aconselhado para si.

Tenha também em consideração que a sala de controlo do reator 4, onde tudo aconteceu, está hoje aberta a turistas. Aqui, a Troupi não aconselha de todo a sua visita, pois apesar dos riscos terem diminuído com o passar dos anos, esta sala é 40.000 vezes mais perigosa do que seria em níveis normais (razão pela qual apenas é possível desfrutar da sala por 5 minutos).

De qualquer modo, uma tour cuidadosa não causará problemas e poderá ser agendada com a Troupi. Considere que, na zona de exclusão de Chernobyl, vivem (sim, vivem!) cerca de 400 pessoas e tantos outros milhares que trabalham lá e em seus arredores. Na própria tour, os seus níveis de radiação serão revistos, mal esteja de saída. É caso para dizer que, macabro, macabro, seria os seus níveis serem altos à vinda! Mas não se preocupe, essa é a única parte da experiência que promete ser diferente de 1986.

Marque a sua viagem com a Troupi

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